Tatuagens Interativas (2013)

Funções:

  • Co-autor do projetor
  • Programador de interface no software Isadora
  • Montagem de equipamentos

Textos abaixo de: Grenda Lisley, Luly PinheiroRafael de Jesus, Saulo Monteiro

Projeto Técnico:

O Projeto consiste na exibição da imagem de uma pessoa (portando tatuagens no braço)
executando um gesto de “arranhar” o ar na altura de sua testa, como se estivesse a tocar a tela.
Quando o espectador aproxima-se da tela e a toca, algumas tatuagens saem da imagem e projetam-se sobre o braço do espectador. Ao afastar-se da tela, as tatuagens desaparecem e voltam ao braço da pessoa na imagem que continua a “arranhar” no ar.
O projeto em questão usou o ambiente Isadora para controlar os processos da instalação. Um ator (A1) controla a exibição de um loop da imagem onde a pessoa está a arranhar o ar. Outro ator (A2) recebe a informação de uma câmera indicando que o espectador está bem próximo à tela, fazendo o loop ser interrompido para ser exibido o fragmento de vídeo (no ator A3) com as tatuagens saindo do braço do personagem na imagem. Ao fim da fuga das tatuagens, outro ator (A4) captura a posição do braço do espectador, que dispara a exibição de um terceiro fragmento de vídeo (no ator A5) para ser projetado sobre o braço do espectador. Quando o ator A2 percebe que o espectador sumiu de sua abrangência, o ator A1 será ligado novamente.

 

Resumo Conceitual:

Durante a realização da Oficina de Dispositivos, provocados pelas palavras de Paul Valéry de que “o mais profundo é a pele”, tentamos desenvolver exercícios que nos aproximassem e nos ajudassem a pensar na questão da pele como “superfície de inscrição de acontecimentos”, conceito amplamente abordado por Michael Foucault e Gilles Deleuze.

Os acontecimentos são efeitos de ações e paixões, efeitos dos encontros dos corpos, portanto, são imateriais, incorpóreos. Por sua vez, todos os corpos são causas uns com relações aos outros, assim, um corpo pode agir sobre o outro e do outro receber uma ação.

Essa instalação interativa foi pensada dialogando com esse pensamento e entendendo a pele como a constituição dessa superfície de inscrição e como o lugar que recebe intervenções, interdições, linhas de fuga e marcas.

A interação funciona a partir da ação do espectador de se aproximar da imagem – reproduzida em uma tela LCD – de um personagem, um homem que se encontra num outro lugar-tempo. O espectador pode observa que este homem sustenta uma tatuagem no braço. Colocamos aqui a tatuagem como um elemento que alguém inventa para si, uma cicatriz, uma marca que voluntariamente alguém decide fazer em si mesmo. Também voluntariamente o espectador se aproxima do personagem, ainda sem saber exatamente o que vai acontecer. Atraído pela posição do personagem, o espectador tem o impulso de tentar tocá-lo. Nesse momento, a imagem da tatuagem se anima, sai da pele do personagem e é projetada na pele do espectador.

Percebe-se aqui que a imagem desapareceu completamente do corpo do personagem e habita agora o corpo do espectador em sua forma original, sem modificações. Por alguns instantes, o tempo que o espectador achar conveniente, ele sente o efeito psicológico de ser afetado por essa imagem, pela carga de significado e pela pluralidade de subjetividades e de experiências que ela carrega consigo.

Nesse sentido, podemos ser levados a pensar que o nosso contato com o mundo, se dado através da superfície das coisas, nos faria apreender, além das coisas e das imagens, os acontecimentos que as envolvem.

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